Tenho medo da celeridade que as coisas estão tomando ultimamente.
Não existe mais tempo para dialogar ou para poder ser o que um dia fomos um para o outro. A modernidade dita regras de que não temos tempo para mais nada, só para trabalhar afim de acumular riquezas e bens!
Internet, face, twitter, fotos digitais, celulares, tablets... estamos numa evolução tecnológica tão gigantesca que nos remete ao status de cada vez mais preguiçosos, acomodados. Principalmente quando se trata de cuidar de nós mesmos!
Sinto saudades do tempo em que ficávamos ansiosos durante uma semana para poder ver as fotos que mandávamos revelar. As surpresas da revelação que talvez tivesse ficado ruim, ou boa. Saudades do tempo em que colocar um filme em uma câmera era um dom, um arte, pois qualquer falha, perderia todo o rolo do filme.
Não tínhamos a oportunidade de deletar, como é feito tão facilmente hoje numa câmera digital, caso alguém esteja de olhos fechados, o zoom não ficou legal, tremeu... Não gostei, deleta.
Isso ocorre também no nosso cotidiano, onde a “pressa” que toma conta de cada um de nós, nos faz esquecer até mesmo daqueles com os quais dividimos o mesmo teto. Estamos deletando os outros de nossa vida com essa evolução desenfreada.
Todos os anos, nos realitys da vida, somos convocados(e vamos muito entusiasmados) a eliminar alguém por semana. Você já parou pra pensar que mesmo sendo um jogo, você alimenta dentro de si a capacidade de eliminar da sua vida qualquer pessoa que não esteja fazendo as coisas do jeito que você quer? Ou que determinadas pessoas não deveriam se comportar de tal modo só porque você não gosta? Cadê a democracia? Onde está o respeito de um povo que se diz apaixonado por tudo, mas lá no fundo, sua única paixão é o próprio ego...
É uma triste realidade, porque, afinal, o bonito da vida e das relações é termos a capacidade de aceitar e amar o outro como verdadeiramente ele é. Sem cortinas, sem embaraços, sem enganação.
Tento hoje correr contra esse ritmo, parando um pouco mais, ouvindo mais ainda e logico, dando atenção àquelas pessoas que gostam de mim, que me deram um dia um pouco do seu tempo para me conhecerem melhor, aceitando meus inúmeros defeitos e com o pouco que há de bom em mim, continuaram ao meu lado, me ajudando e me capacitando para que eu entendesse e aprendesse melhor a ser gente, pois o humano é bem mais do que viver do modo que a sociedade dita...dentro desse grupo, tão seleto e tão amplo, destaque para minha família, dom de Deus em minha vida e meus amigos.
Quero dar uma lentidão no ritmo que o mundo anda em meu cotidiano, para que eu possa passar pela vida destas pessoas para que elas saibam que quando precisarem, também estarei por perto, lembrando os velhos e bons tempos, em que tempo, era apenas uma questão de escolha!
Fábio J. Farias
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